19.9.10

O Amor é uma merda, volume 1

O jovem amava-a sem noção do quanto. A noção que ele captava do amor correspondido era o mesmo que ele sentia. Era como em todas as historias de amor que ele tinha ouvido: nem acreditava na sua própria sorte. Cartas de amor eram enviadas e recebidas dia após dia. Quando não se viam, mostravam as saudades por cartas. Abraçavam os carteiros e cantavam mil canções aos serviços dos correios como agradecimento e festajavam loucamente cada vez que captavam um sinal de vida do outro lado. Uma vez ele recebeu uma carta a dizer:

            Querido ...


            Isto que tenho para te contar não é facil de se escrever nem será fácil de ser lido.
            Temo que o que dizia sentir por ti era mentira. Acho que me apanhaste num momento de carência, pois tinha saído de uma relação recentemente e tu apareceste-me à minha frente. Tratavas-te de um salvador aos meus olhos: eras uma pessoa formidavel, simpático, querido, giro, afável.
            No fim, acabei por me sentir mal por estar a alimentar a tua paixão, quando a minha de repente ia desaparecendo. Ainda tentei que esta pudesse crescer mais um bocado, mas não me deu a parecer.
            Desculpa por tudo, espero que não te tenha magoado muito.


Com Amor,
...

As pernas do jovem cediam. Ali caía no quintal de sua casa, em frente ao carteiro, o qual olhou para ele estupefacto.
 - O que foi meu jovem? Algum erro do serviço dos correios?
 - Não, meu bom senhor. Meu e só meu.

A partir dessa carta, nunca mais veio a ser o mesmo jovem. Naquele dia nasceu um homem. Magoado

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